A
poder simbólico pode ser exercido por diferentes instituições da sociedade: o
Estado, a mídia, a escola, a arte etc. Nesse sentido, a música possui poder
simbólico, o que significa dizer, num viés prático, violência simbólica.
Poder
simbólico, segundo Pierre Bourdieu , é poder invisível que só pode
ser exercido com a cumplicidade daqueles que estão sujeitos a esse poder ou
mesmo daqueles que o exercem.
Na
ação prática, poder simbólico traduz-se em violência simbólica. Por exemplo, no
campo da arte, a luta simbólica decide o que é erudito ou o que pertence à
indústria cultural. Porém, não passa de imposição de uma cultura dominante,
considerada a "correta" e, assim, legítima.
Ao
se fazer uma música, nela está contido um poder simbólico. Trata-se de uma construção
da realidade que tende a estabelecer uma ordem gnosiológica, ou seja, o sentido
do mundo, que inevitavelmente supõe um conformismo lógico, como se houvesse uma
concepção homogênea entre as inteligências.
Assim,
a música, nesse sentido destacado, enquanto instrumentos de conhecimento e
comunicação, torna possível o consenso acerca do sentido do mundo social, ou
seja, contribui fundamentalmente para a reprodução da ordem social
estabelecida.
Podem
alegar: mas é apenas ficção.
Porém,
esta justificativa não abona em nada. Como destacado, a música possui poder
simbólico e quando criada a partir de uma realidade opressora, contribui para
reprodução da ordem estabelecida, ou seja, opressora.
Isso não quer dizer que a AADUEM é a grande culpada pela misoginia no mundo.
Claro que não, mas não dá para deixar de contabilizar a sua contribuição
social, ainda mais com o que suas letras sugerem.
É
indubitável que, ainda com Bourdieu,
as produções simbólicas são instrumentos de dominação. Assim, o dominante tenta impor a
legitimidade da sua dominação por meio da própria produção simbólica. Ao nos depararmos com músicas que objetificam
a mulher, observamos como a violência simbólica age de modo dissimulado e
imperceptível ao "senso comum", observamos, ainda, como
é encarada a situação da mulher para essas perspectivas, e como há ainda uma
permanência e conservação de uma dominação social injusta.
Por fim, esclareço que não sou contra agremiações e/ou coisas do gênero, estas são muito importantes por diversos fatores, porém, quando disseminam discursos opressores tal situação deve ser "desbanalizada".
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