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10 maio 2014

AADUEM e sua contribuição social (misógina)


            A poder simbólico pode ser exercido por diferentes instituições da sociedade: o Estado, a mídia, a escola, a arte etc. Nesse sentido, a música possui poder simbólico, o que significa dizer, num viés prático, violência simbólica.

            Poder simbólico, segundo Pierre Bourdieu , é poder invisível que só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que estão sujeitos a esse poder ou mesmo daqueles que o exercem.

            Na ação prática, poder simbólico traduz-se em violência simbólica. Por exemplo, no campo da arte, a luta simbólica decide o que é erudito ou o que pertence à indústria cultural. Porém, não passa de imposição de uma cultura dominante, considerada a "correta" e, assim, legítima.

            Ao se fazer uma música, nela está contido um poder simbólico. Trata-se de uma construção da realidade que tende a estabelecer uma ordem gnosiológica, ou seja, o sentido do mundo, que inevitavelmente supõe um conformismo lógico, como se houvesse uma concepção homogênea entre as inteligências.

            Assim, a música, nesse sentido destacado, enquanto instrumentos de conhecimento e comunicação, torna possível o consenso acerca do sentido do mundo social, ou seja, contribui fundamentalmente para a reprodução da ordem social estabelecida.

            Podem alegar: mas é apenas ficção.

            Porém, esta justificativa não abona em nada. Como destacado, a música possui poder simbólico e quando criada a partir de uma realidade opressora, contribui para reprodução da ordem estabelecida, ou seja, opressora.
           
            Isso não quer dizer que a AADUEM é a grande culpada pela misoginia no mundo. Claro que não, mas não dá para deixar de contabilizar a sua contribuição social, ainda mais com o que suas letras sugerem.

            É indubitável que, ainda com Bourdieu, as produções simbólicas são instrumentos  de dominação. Assim, o dominante tenta impor a legitimidade da sua dominação por meio da própria produção simbólica. Ao nos depararmos com músicas que objetificam a mulher, observamos como a violência simbólica age de modo dissimulado e imperceptível ao "senso comum", observamos, ainda, como é encarada a situação da mulher para essas perspectivas, e como há ainda uma permanência e conservação de uma dominação social injusta.

            Por fim, esclareço que não sou contra agremiações e/ou coisas do gênero, estas são muito importantes por diversos fatores, porém, quando disseminam discursos opressores tal situação deve ser "desbanalizada". 

  



               
               





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